{"id":826,"date":"2023-09-26T10:17:09","date_gmt":"2023-09-26T13:17:09","guid":{"rendered":"https:\/\/cppremier.fourwindsagencia.com.br\/?p=826"},"modified":"2023-09-26T10:32:17","modified_gmt":"2023-09-26T13:32:17","slug":"sobre-o-cancer-de-tireoide","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cppremier.fourwindsagencia.com.br\/index.php\/2023\/09\/26\/sobre-o-cancer-de-tireoide\/","title":{"rendered":"Sobre o C\u00e2ncer de tireoide"},"content":{"rendered":"\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o<br>A gl\u00e2ndula tireoide pode ser a origem de diversos tipos histol\u00f3gicos de neoplasias malignas, sendo os mais comuns os originados de suas c\u00e9lulas foliculares, seguidos em uma quantidade muito menor pelos tumores das c\u00e9lulas parafoliculares, secretoras de calcitonina. Mais raramente a tireoide tamb\u00e9m pode ser a origem prim\u00e1ria de tumores com histologia de origem t\u00edmica, de gl\u00e2ndulas salivares e de c\u00e9lulas germinativas [1].<br>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas houve aumento consider\u00e1vel da incid\u00eancia de tumores malignos de tireoide, consequ\u00eancia da melhoria das condi\u00e7\u00f5es de diagn\u00f3stico, e detec\u00e7\u00e3o precoce de tumores pequenos, assintom\u00e1ticos e indolentes [2]. A maioria dos dados dispon\u00edveis apontam progn\u00f3stico excelente nas les\u00f5es diagnosticadas incidentalmente, com manuten\u00e7\u00e3o da taxa de mortalidade apesar do n\u00famero crescente de casos novos [3]. Dados estat\u00edsticos do Instituto Nacional de C\u00e2ncer dos Estados Unidos (SEER) publicados em 2017 demonstraram que o aumento da incid\u00eancia dos carcinomas papilares de tireoide vem aumentando em m\u00e9dia 4,6% ao ano, incluindo a detec\u00e7\u00e3o de tumores em est\u00e1gios mais avan\u00e7ados. Al\u00e9m da constata\u00e7\u00e3o do aumento da taxa de mortalidade de 1,1% ao ano, entre 1994 a 2013 [4]. Estes n\u00fameros denotam o aumento real da incid\u00eancia dos casos de c\u00e2ncer da tireoide.<br>Os carcinomas de tireoide oriundos das c\u00e9lulas foliculares podem ser do tipo papilar (85%), folicular (10%), oncoc\u00edtico (3 a 4%) e anapl\u00e1sicos (1 a 2%). O carcinoma papilar de tireoide (CPT) possui muitas variantes histol\u00f3gicas; as de melhor progn\u00f3stico s\u00e3o as cl\u00e1ssicas e as foliculares; e as mais agressivas s\u00e3o a colunar de c\u00e9lulas altas, esclerosante difusa, hobnail e insular. O carcinoma folicular da tireoide (CFT) se caracteriza por sinais de invas\u00e3o capsular e\/ou vascular e aus\u00eancia de sinais nucleares t\u00edpicos do CPT, sendo classificado em minimamente ou amplamente invasivos. O carcinoma oncoc\u00edtico \u00e9 formado por c\u00e9lulas foliculares oxif\u00edlicas, marcadas por uma quantidade acentuada de mitoc\u00f4ndrias e com uma maior taxa de met\u00e1stases hematog\u00eanicas, recorr\u00eancia e mortalidade relacionadas ao tumor [5,6]. O carcinoma anapl\u00e1sico \u00e9 a neoplasia maligna mais rara entre os tumores com origem nas c\u00e9lulas foliculares da tireoide, apresenta alt\u00edssimo \u00edndice de mortalidade com sobrevida m\u00e9dia de 6 meses e sobrevida global de 20% em 1 ano [7]. O carcinoma medular \u00e9 proveniente das c\u00e9lulas C ou parafoliculares, s\u00e3o respons\u00e1veis por 1 a 2% dos carcinomas da gl\u00e2ndula tireoide, pode se apresentar de forma heredit\u00e1ria entre 20 a 25% dos casos, podendo ser parte das s\u00edndromes de Neoplasias End\u00f3crinas M\u00faltiplas (NEM 2A e NEM 2B), e da s\u00edndrome de Carcinoma Medular Familiar [8].<br><br>Epidemiologia no Brasil<br>O carcinoma de tireoide pode ser considerado o c\u00e2ncer mais comum da regi\u00e3o da cabe\u00e7a e pesco\u00e7o e o 7\u00b0 tipo de c\u00e2ncer mais frequente, quando n\u00e3o consideramos o carcinoma de pele n\u00e3o melanoma. O Instituto Nacional de C\u00e2ncer (INCa-MS Brasil) estima uma incid\u00eancia de mais de 16.600 novos casos de c\u00e2ncer de tireoide ocorram por ano durante o tri\u00eanio de 2023 a 2025 no Brasil. As mulheres s\u00e3o as mais afetadas, com incid\u00eancia cinco vezes maior. A doen\u00e7a \u00e9 o terceiro tipo de c\u00e2ncer mais frequente nas mulheres brasileiras da regi\u00e3o Sudeste. Em 2020 foram registrados 837 \u00f3bitos no Brasil [9].<br><br>Fatores de risco<br>A exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o ionizante \u00e9 um fator de risco conhecido para desenvolvimento do c\u00e2ncer de tireoide. O risco n\u00e3o est\u00e1 associado a realiza\u00e7\u00e3o de exames radiol\u00f3gicos, j\u00e1 que as doses de radia\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito baixas e ocasionais. A preocupa\u00e7\u00e3o decorre de tratamentos pr\u00e9vios com radioterapia na regi\u00e3o de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o, principalmente em pacientes jovens, em pacientes expostos a acidentes com vazamento de radiois\u00f3topos, e em profissionais com exposi\u00e7\u00e3o inapropriada e\/ou prolongada a radia\u00e7\u00e3o.<br>Algumas condi\u00e7\u00f5es heredit\u00e1rias tamb\u00e9m podem ser referidas como fator de risco, como na S\u00edndrome de Gardner que \u00e9 associada com aumento de risco para c\u00e2ncer de tireoide de 25 a 160 vezes [10, 11], e na S\u00edndrome de Cowden que o paciente pode apresentar uma chance de desenvolver c\u00e2ncer de tireoide entre 3 a 10% (geralmente do tipo folicular) [12]. Estima-se que em m\u00e9dia 4.2% dos carcinomas de tireoide papilares, foliculares e oncoc\u00edticos tem origem familiar, fazendo parte de uma entidade cl\u00ednica descrita como Carcinoma N\u00e3o Medular Familiar de Tireoide, quando o risco para apresentar estas neoplasias podem se elevar de 3.2 a 11.1% nos familiares [13].<br><br><\/p>\n\n\n\n<p>Estadiamento<br>O estadiamento correto \u00e9 importante para determinar a melhor terap\u00eautica e o risco de mortalidade. \u00c9 recomendado em todo o mundo o estadiamento da American Joint Committee on Cancer (AJCC 8\u00b0 edi\u00e7\u00e3o). Este \u00e9 baseado no conjunto de fatores progn\u00f3sticos da classifica\u00e7\u00e3o TNM (T; tamanho do tumor prim\u00e1rio, N; linfonodos loco-regionais e M; met\u00e1stases a dist\u00e2ncia), e no caso de neoplasias papilares, foliculares e oncoc\u00edticas de tireoide, somados a idade do paciente ao diagn\u00f3stico. Estes tumores de tireoide s\u00e3o as \u00fanicas neoplasias malignas na qual a idade \u00e9 fator progn\u00f3stico pela AJCC, sendo os pacientes com 55 anos ou mais referidos com fator de risco mais elevado. O TNM pode ser definido clinicamente, com aux\u00edlio de exames de imagem e por anatomopatol\u00f3gico [14,15,16,17].<br>Os guidelines da American Thyroid Association (ATA) auxiliam na estratifica\u00e7\u00e3o de risco de recorr\u00eancia da doen\u00e7a. Essa estratifica\u00e7\u00e3o classifica os pacientes em baixo, intermedi\u00e1rio ou alto risco. Nos casos de tumores papilares, foliculares e oncoc\u00edticos s\u00e3o considerados Risco baixo; os carcinomas sem invas\u00e3o extra tireoidiana, com at\u00e9 5 linfonodos acometidos por micrometastases (&lt; 2 mm); risco intermedi\u00e1rio aqueles com subtipo histol\u00f3gico desfavor\u00e1veis, invas\u00e3o extra tireoidiana m\u00ednima, invas\u00e3o vascular ou mais de cinco linfonodos acometidos por micrometastases ou menores que 3 cm, risco alto quando observado invas\u00e3o extra tireoidiana evidente, ressec\u00e7\u00e3o incompleta do tumor, met\u00e1stases a dist\u00e2ncia ou linfonodos maiores que 3 cm [18,19]. Para o carcinoma anapl\u00e1sico todos os casos s\u00e3o classificados como Estagio IV (A, B e C) devido ao pobre progn\u00f3stico j\u00e1 referido. Est\u00e1gio IV A todos os pacientes entre T1 a T3a, N0, M0, com doen\u00e7a sem extravasamento tireoidiano. Est\u00e1gio IV B pacientes classificados entre T3b a T4, com linfonodos loco-regionais positivos. Est\u00e1gio IV C para qualquer T ou N em pacientes com met\u00e1stase a dist\u00e2ncia [7,20].<br><br>T \u2013 tumor prim\u00e1rio<br>T0 sem evid\u00eancia de tumor prim\u00e1rio<br>T1 tumor com 2cm ou menos de dimens\u00e3o, limitado a tireoide<br>T1a tumor com 1 cm ou menos de dimens\u00e3o, limitado a tireoide<br>T1b tumor com mais de 1cm e menor que 2cm de dimens\u00e3o, limitado a tireoide<br>T2 tumor maior que 2cm e menor que 4 cm na maior dimens\u00e3o, limitado a tireoide<br>T3 tumor com 4 cm ou maior, limitado a tireoide ou com extravasamento grosseiro da tireoide invadindo musculatura pr\u00e9-tireoidiana<br>T3a tumor maior que 4cm na maior dimens\u00e3o, limitado a tireoide<br>T3b tumor de qualquer tamanho com extravasamento grosseiro da tireoide invadindo musculatura pr\u00e9-tireoidiana<br>T4a tumor com extravasamento tireoidiano invadindo: tecido subcut\u00e2neo, laringe, traqu\u00e9ia, es\u00f4fago, nervo lar\u00edngeo recorrente<br>T4b tumor invade f\u00e1scia pr\u00e9-vertebral, veias mediastinais, ou envolve art\u00e9ria car\u00f3tida<br>N \u2013 Linfonodos regionais<br>N0 sem linfonodos regionais metast\u00e1ticos<br>N1 met\u00e1stase em linfonodo regional<br>N1a met\u00e1stase em n\u00edvel VI (pr\u00e9-traqueal, paratraqueal e pr\u00e9-lar\u00edngeo\/linfonodos de Delfos) ou mediastino superior<br>N1b met\u00e1stases unilaterais, bilaterais ou contralaterais cervicais (n\u00edveis I, II III, IV ou V) ou retro far\u00edngeos<br>M \u2013 Met\u00e1stases a dist\u00e2ncia<br>M0 &#8211; sem met\u00e1stases a dist\u00e2ncia<br>M1 met\u00e1stases a dist\u00e2ncia<br><br>Papilar, Folicular e Oncoc\u00edtico abaixo de 55 anos<br>Est\u00e1gio I qualquer T qualquer N M0<br>Est\u00e1gio II qualquer T qualquer N M1<br>Papilar, Folicular e Oncoc\u00edtico com 55 anos ou mais<br>Est\u00e1gio I &#8211; T1a,T1b,T2 N0 M0<br>Est\u00e1gio II &#8211; T3 N0 M0 T1,T2,T3 N1 M0<br>Est\u00e1gio III &#8211; T4a qualquer N M0<br>Est\u00e1gio IVA &#8211; T4b qualquer N M0<br>Est\u00e1gio IVB &#8211; qualquer T, qualquer N M1<br>Medular<br>Est\u00e1gio I &#8211; T1a, T1b N0 M0<br>Est\u00e1gio II &#8211; T2, T3 N0 M0<br>Est\u00e1gio III &#8211; T1, T2, T3 N1a M0<br>Est\u00e1gio IVA &#8211; T1, T2, T3 N1b M0, T4a qualquer N M0<br>Est\u00e1gio IVB &#8211; T4b qualquer N M0<br>Est\u00e1gio IVC &#8211; qualquer T, qualquer N M1<br>Anapl\u00e1sico<br>Est\u00e1gio IVA &#8211; T1,T2,T3a N0 M0<br>Est\u00e1gio IVB &#8211; T1,T2,T3a N1 M0<br>Est\u00e1gio IVB &#8211; T3b,T4a,T4b N0,N1 M0<br>Est\u00e1gio IVC &#8211; qualquer T, qualquer N, M1<br><br>Tratamento<br>A ressec\u00e7\u00e3o cir\u00fargica \u00e9 o tratamento de escolha para as neoplasias malignas da tireoide, com a extens\u00e3o do procedimento cir\u00fargico individualizada e indicada de acordo com estratifica\u00e7\u00e3o de risco, o que leva em conta desde caracter\u00edsticas do paciente, ao tipo da neoplasia e o estadiamento da doen\u00e7a. O intuito \u00e9 evitar tratamentos desnecess\u00e1rios que possam acarretar morbidade e preju\u00edzo na qualidade de vida. A radioiodoterapia \u00e9 um importante tratamento adjuvante com indica\u00e7\u00f5es bem definidas e aplicada sobretudo nos carcinomas do tipo papilar, folicular e oncoc\u00edtico. A radioterapia externa pode ser indicada em algumas situa\u00e7\u00f5es para tratamento de tumores mais agressivos como o medular e o anapl\u00e1sico, ou em casos selecionados e mais avan\u00e7ados de tumores da tireoide.<br><br>Tratamento cir\u00fargico, Extens\u00e3o da tireoidectomia<br>Para os carcinomas de tireoide dos tipos papilar e folicular menores que 4cm, sem extravasamento capsular e sem evid\u00eancias de met\u00e1stases loco-regionais ou \u00e0 dist\u00e2ncia, a lobectomia tem sido considerada a op\u00e7\u00e3o de escolha, j\u00e1 que nestes casos a maioria dos trabalhos n\u00e3o demonstra aumento da sobrevida global quando comparados a pacientes submetidos a retirada total da gl\u00e2ndula [19,21,22,23,24]. Por\u00e9m, a tireoidectomia total pode ser indicada de maneira individualizada, de acordo com necessidades espec\u00edficas de cada caso cl\u00ednico. A variante folicular encapsulada do carcinoma papilar apresenta caracter\u00edstica de tumor indolente e de baixa agressividade e pode ser tratada apenas com lobectomia. Para os tumores com 4cm ou maiores, com extravasamento capsular grosseiro, com met\u00e1stases, de variantes histol\u00f3gicas agressivas, hist\u00f3rico familiar de c\u00e2ncer de tireoide ou de tratamento radioter\u00e1pico na inf\u00e2ncia, a indica\u00e7\u00e3o \u00e9 para tireoidectomia total [19,21,25, 26]. A Sociedade Japonesa de Cirurgi\u00f5es de Tireoide considera aceit\u00e1vel a conduta n\u00e3o cir\u00fargica e apenas de vigil\u00e2ncia ativa para os microcarcinomas papil\u00edferos (\u2264 1cm) em pacientes idosos, sem met\u00e1stases linf\u00e1ticas e\/ou extravasamento capsular [26]. A conduta de vigil\u00e2ncia ativa para microcarcinomas papil\u00edferos, \u00fanicos, sem met\u00e1stases e sem extravasamento capsular tem ganhado opini\u00f5es favor\u00e1veis [27]. De fato, a vigil\u00e2ncia ativa poderia ser considerada a regra se os n\u00f3dulos tireoidianos sem caracter\u00edsticas de agressividade n\u00e3o fossem puncionados quando menores que 1cm.<br>Os carcinomas de c\u00e9lulas oncoc\u00edticas tem indica\u00e7\u00e3o para tireoidectomia total, pois apresentam-se de forma mais agressiva e com maior tendencia de met\u00e1stases \u00e0 dist\u00e2ncia [21].<br><br>A tireoidectomia total \u00e9 indicada para todos os casos de carcinoma medular [8,21,25].<br>Em rela\u00e7\u00e3o ao carcinoma anapl\u00e1sico, mesmo em fases precoces, o tratamento cir\u00fargico inicial pode ser bem desafiador, j\u00e1 que menos de 10% destes tumores apresentam-se intra-tireoidianos ao diagn\u00f3stico. N\u00e3o h\u00e1 consenso definido sobre a extens\u00e3o da tireoidectomia, mas quando poss\u00edvel considera-se como a melhor op\u00e7\u00e3o cir\u00fargica a ressec\u00e7\u00e3o completa da tireoide e do tumor (R0, R1), sendo evitado ressec\u00e7\u00f5es radicais que envolvam a laringe, faringe, es\u00f4fago e grandes vasos mediastinais, devido ao pobre progn\u00f3stico [20]. Nos \u00faltimos 5 anos houve progresso consider\u00e1vel na indica\u00e7\u00e3o de tratamento neoadjuvante com terapia alvo, principalmente com inibidores BRAF e imunoterapia, com redu\u00e7\u00e3o do tamanho da cirurgia e morbidade [28]. Estas novas possibilidades terap\u00eauticas denotam a exig\u00eancia de testes moleculares e de muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas o mais breve poss\u00edvel ante ao diagn\u00f3stico de carcinoma anapl\u00e1sico. Entre os mais importantes o BRAFv600E, BRAFWILD, NTRK. At\u00e9 50% dos pacientes podem apresentar muta\u00e7\u00e3o no BRAF, e esta caracter\u00edstica tem demonstrado import\u00e2ncia terap\u00eautica promissora.<\/p>\n\n\n\n<p>Tratamento cir\u00fargico, Linfadenectomia<br>A alta incid\u00eancia de met\u00e1stases linf\u00e1ticas no c\u00e2ncer de tireoide sempre coloca a indica\u00e7\u00e3o do esvaziamento cervical como um tema muito importante. No carcinoma papilar as met\u00e1stases para linfonodos cervicais do compartimento central podem ocorrer entre 14 a 64%, e at\u00e9 a n\u00fameros mais elevados se somada a presen\u00e7a de micrometastases (\u2264 2mm). Por\u00e9m a identifica\u00e7\u00e3o destas micrometastases n\u00e3o denota um fator associado ao risco para recorr\u00eancia. No carcinoma folicular as met\u00e1stases linf\u00e1ticas ocorrem em bem menor quantidade, entre 2.1 a 3.3%, e no carcinoma medular entre 44 a 81% [29]. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais grave nos carcinomas anapl\u00e1sicos, onde as met\u00e1stases podem ocorrer em \u00f3rg\u00e3os distantes em mais de 40%, j\u00e1 na apresenta\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a [20].<br>Esta alta incid\u00eancia de met\u00e1stases demonstra a grande import\u00e2ncia do correto estadiamento pr\u00e9-operat\u00f3rio para defini\u00e7\u00e3o da abordagem das cadeias linf\u00e1ticas cervicais. O ultrassom realizado por profissional experiente mostra-se o exame mais sens\u00edvel para detec\u00e7\u00e3o das met\u00e1stases cervicais, podendo obter melhora nos resultados se somado a tomografia computadorizada. Para os carcinomas medulares e anapl\u00e1sicos os exames de imagem dever ser mais abrangentes, incluindo tomografia computadorizada ou resson\u00e2ncia nuclear magn\u00e9tica do pesco\u00e7o, t\u00f3rax e abdome ou se dispon\u00edvel um PET\/CT (somado a RNM de cr\u00e2nio nos carcinomas anapl\u00e1sicos).<br>Para os carcinomas papil\u00edferos, foliculares e oncoc\u00edticos o esvaziamento cervical eletivo do compartimento central n\u00e3o \u00e9 recomendado para tumores T1\/T2, n\u00e3o invasivos. Este procedimento deve ser considerado apenas em pacientes com carcinoma papil\u00edfero com tumores avan\u00e7ados, T3 ou T4, ou na presen\u00e7a de met\u00e1stases nos n\u00edveis laterais do pesco\u00e7o (II a V), ou se esta informa\u00e7\u00e3o for importante no planejamento de terapias adjuvantes [29]. O esvaziamento cervical radical modificado (n\u00edveis II a V) e o esvaziamento do compartimento central (n\u00edvel VI), de indica\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, devem ser realizados apenas nos pacientes com presen\u00e7a de met\u00e1stase cervical detectada nas referidas cadeias [19,21,25,29]. Mesmo com os melhores m\u00e9todos de estadiamento pr\u00e9-operat\u00f3rios, e com ultrassom realizado profissionais experientes, met\u00e1stases para o compartimento central podem deixar de ser diagnosticadas em at\u00e9 50% dos casos, isto demonstra a import\u00e2ncia da inspe\u00e7\u00e3o deste n\u00edvel cervical durante o procedimento cir\u00fargico.<br>No carcinoma medular o esvaziamento eletivo do compartimento central \u00e9 recomendado em todos os pacientes N0. O esvaziamento eletivo dos n\u00edveis II a V n\u00e3o apresenta consenso na literatura, e pode ser avaliado em casos que os pacientes apresentem n\u00edveis elevados de calcitonina. Quando o paciente apresenta met\u00e1stase em n\u00edvel VI, e envolvimento das cadeias laterais de n\u00edveis II a V, estas cadeias devem ser submetidas a esvaziamento terap\u00eautico [8,29].<br>No carcinoma anapl\u00e1sico considera-se mais apropriado a indica\u00e7\u00e3o de esvaziamento do compartimento central e das cadeias laterais de forma terap\u00eautica, nos casos que o tumor prim\u00e1rio possa ser ressecado.<\/p>\n\n\n\n<p>Radioiodoterapia<br>A indica\u00e7\u00e3o para terapia complementar com iodo-131 continua apresentando papel importante para tratamento dos tumores papilares, foliculares e oncoc\u00edticos da tireoide. O objetivo \u00e9 a abla\u00e7\u00e3o de tecido tireoidiano remanescente e de poss\u00edveis met\u00e1stases, com consequente diminui\u00e7\u00e3o de recorr\u00eancia loco-regional. Na atualidade a indica\u00e7\u00e3o para este tratamento est\u00e1 associada a estratifica\u00e7\u00e3o de risco para recorr\u00eancia da doen\u00e7a. Os pacientes t\u00eam seus perfis cl\u00ednicos e histol\u00f3gicos p\u00f3s-operat\u00f3rios classificados como de baixo, intermedi\u00e1rio ou alto risco. Entre os crit\u00e9rios avaliados est\u00e3o a idade, g\u00eanero, o tamanho do tumor, a presen\u00e7a de extravasamento capsular, o subtipo histol\u00f3gico e a presen\u00e7a de met\u00e1stases. A avalia\u00e7\u00e3o do status da dosagem sangu\u00ednea de tireoglobulina tamb\u00e9m se demonstra importante fator para determinar a indica\u00e7\u00e3o da radioiodoterapia.<br><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1580\" height=\"539\" class=\"wp-image-828\" style=\"width: 900px;\" src=\"https:\/\/cppremier.fourwindsagencia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/cp.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cppremier.fourwindsagencia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/cp.png 1580w, https:\/\/cppremier.fourwindsagencia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/cp-300x102.png 300w, https:\/\/cppremier.fourwindsagencia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/cp-1024x349.png 1024w, https:\/\/cppremier.fourwindsagencia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/cp-768x262.png 768w, https:\/\/cppremier.fourwindsagencia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/cp-1536x524.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 1580px) 100vw, 1580px\" \/>Para os tumores de baixo risco n\u00e3o h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o para tratamento complementar com iodo-131. Para os tumores de risco intermedi\u00e1rio a indica\u00e7\u00e3o da radioiodoterapia pode ser considerada de acordo com o caso cl\u00ednico em quest\u00e3o. J\u00e1 para todos os pacientes considerados como de alto risco, h\u00e1 a indica\u00e7\u00e3o formal para complementa\u00e7\u00e3o do tratamento com radioiodoterapia [20, 21].<br><br><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1580\" height=\"935\" class=\"wp-image-830\" style=\"width: 899px;\" src=\"https:\/\/cppremier.fourwindsagencia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/ne1m1.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/cppremier.fourwindsagencia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/ne1m1.png 1580w, https:\/\/cppremier.fourwindsagencia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/ne1m1-300x178.png 300w, https:\/\/cppremier.fourwindsagencia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/ne1m1-1024x606.png 1024w, https:\/\/cppremier.fourwindsagencia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/ne1m1-768x454.png 768w, https:\/\/cppremier.fourwindsagencia.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/ne1m1-1536x909.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 1580px) 100vw, 1580px\" \/><\/p>\n\n\n\n<p>Bibliografia<\/p>\n\n\n\n<ol>\n<li>Jung CK, Bychkov A, Kakudo K. 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Arch Endocrinol Metab. 2023 May 12;67(4):e000607<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3oA gl\u00e2ndula tireoide pode ser a origem de diversos tipos histol\u00f3gicos de neoplasias malignas, sendo os mais comuns os originados de suas c\u00e9lulas foliculares, seguidos em uma quantidade muito menor pelos tumores das c\u00e9lulas parafoliculares, secretoras de calcitonina. 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